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Aracri Luís

3月11日

O novo disco do Morrissey é mais do mesmo. Mas ele nem liga para isso.

Morrissey dá sinais de que não quer mais ser levado tão a sério como antes. Não acredita? Então, compare a capa deste novo "Ringleader of the Tormentors" com a do álbum anterior, "You Are the Quarry" (2004): é impossível não ter a impressão de que o bom velho Bardo de Manchester se permite fazer alguma graça e envelhecer com humor. Mas não se enganem completamente, pois algumas coisas definitivamente não mudaram. As canções de Moz continuam falando sobre as
dificuldades de se ajustar ao mundo e às pessoas.
 
"Ringleader of the Tormentors" é mais do mesmo: o mesmo coletivo de brit-pop e glam rock dos seus trabalhos mais recentes, os mesmos títulos longos para as músicas, os mesmos riffs de guitarra, a mesma busca pelo refúgio num mundo particular. Mas é justamente isso o que os fãs de Morrissey sempre querem ouvir dele e o ex-Smith parece satisfazer de uma forma cada vez melhor esse desejo - e o resultado é um trabalho superior a "You Are the Quarry". De lá para cá, Moz vem curtindo um bom momento artístico: fez as pazes com as gravadoras, voltou a ser considerado um artista relevante e seu rosto apareceu em várias revistas descoladas. No entanto, como todos sabem, ele não se importa com isso...
 
Certamente você já ouviu antes algo parecido com "I Will See You In Far Off Places", "Dear God Help Me" ou "You Have Killed Me". Mas certamente Morrissey não está nem aí e ele nunca se preocupou em agradar alguem que não seja ele mesmo. Ainda bem. Ele tem a honestidade e a franqueza que tanto fazem falta ao pop. Em "Ringleader..." não há uma música com pinta de hit, o que não é de se estranhar: quem viu Moz no Brasil em 1999 lembra-se que ele teve a desfaçatez excluir do repertório seus dois maiores sucessos, "Suedehead" e "Everyday Is Like Sunday". Quem liga para hits? Morrissey, como todos sabem, não liga.
 
"The Father Who Must Be Killed", "Life Is a Pigsty" e "I Will Never Be Anybody's Hero" também são mais do mesmo, mas são excelentes. What difference does it make? Nenhuma. Também não faz diferença para ele que "I Just Want to See the Boy Happy" soe como o T. Rex de Marc Bolan. Se disserem a ele que a voz dele hoje está menos afetada e que ele está cantando melhor do que nunca, talvez ele não dê a menor bola. Um dos maiores fãs brasileiros do Morrissey e seu equivalente nacional no pop, Renato "Legião Urbana" Russo, escreveu um verso que poderia ter sido feito pensando no ex-vocalista dos Smiths: "sempre mais do mesmo... não era isso que você queria ouvir?"
 
O lançamento oficial de "Ringleader of the Tormentors" na Inglaterra está previsto para o dia 04 de abril.
3月3日

New Order dá novo "bolo" ao Brasil

A alegria dos fãs brasileiros do New Order durou pouco. Quando todos acreditavam que desta vez nada impediria a vinda do grupo inglês (esperada para maio), o jornal portoalegrense Zero Hora divulgou a má notícia: a turnê que passaria pelo país e, também, pela Argentina, foi cancelada. Roger Lerina, repórter que divulgou no mesmo jornal que estava confirmado um show da banda no espaço Pepsi On Stage no dia 17 de maio, publicou em seu blog a mensagem oficial emitida por Marlene Tsuchii, agente do New Order, para os produtores sul-americanos:
 

"Em nome do New Order, devo dizer com profundo pesar que a banda não vai mais poder viajar em maio. Um assunto familiar que requer urgência surgiu e obrigou-os a bloquear o mês de maio para lidar com essa situação.

Peço desculpas pois todos nós esperávamos confirmar logo a turnê. A banda tinha plena intenção de cumprir esse compromisso até aparecer esse inesperado problema com o qual eles têm que lidar.

Espero que nós possamos acertar outras datas para eles e também auxiliar no que for possível para que o evento da Skol encontre outro artista.

Obrigado por sua perseverança e apoio"

 

Pelo visto, os fãs terão que esperar. Enquanto isso, a vinda de Peter Hook em junho (São Paulo e Porto Alegre) para um set de discotecagem no evento de música eletrônica RBK TOPS (Reebok), continua confirmada no site www.rbktops.com

 

 

 

3月2日

O novo solo de David Gilmour e o "adeus" ao Pink Floyd

Os fãs do Pink Floyd têm um motivo para ficarem mais tristes: o guitarrista David Gilmour foi entrevistado recentemente pelo jornal italiano La Reppublica e declarou que a banda vai definitivamente pendurar as chuteiras. Segundo Gilmour, que assumiu a liderança do Floyd após a saída nada amigável do baixista Roger Waters em 1984, o grupo recebeu centenas de propostas de patrocínio para uma turnê mundial. Cifras milionárias foram oferecidas ao Pink Floyd depois que Gilmour e Waters, e também Richard Wright (teclados) e Nick Mason (bateria), deixaram de lado as brigas e se reuniram para uma antológica mini-apresentação no "Live 8" de Bob Geldoff, no ano passado. As palavras do guitarrista foram: "A banda? Acabou. Foi reunida por uma boa causa, acima dos relacionamentos conturbados e não para ter mágoas. Eu acho que já tive o bastante. Tenho 60 anos. Eu não quero mais trabalhar tanto assim. É uma parte importante da minha vida, eu tive satisfação enorme, mas agora chega. É muito mais confortável agora trabalhar por conta própria. A questão a respeito de Roger é irrelevante porque, mesmo sem ele, eu não quero voltar a ser parte do Pink Floyd. Estou feliz com minha vida. Tocar com o Pink Floyd é um negócio grande demais pra mim agora. Quando você lida com uma coisa com uma banda, tudo é gigantesco, as expectativas são enormes e as pressões são muito altas. Vieram me pedir para tocar CEM shows! Eu estou bem com a minha vida agora. Foi Fantástico, mas eu não me sinto mais tão bem assim".
 
No entanto, David Gilmour não vai parar de trabalhar. Ele anuncia o lançamento do seu próximo disco solo para o dia 06 de março. O álbum vai se chamar "On an Island" e tem tudo para soar parecido com o Pink Floyd, e não apenas por causa de seus inconfundíveis solos de guitarra. Para este trabalho, Gilmour conta com uma ajuda de Richard Wright nos teclados e com participações de músicos que tocaram com o grupo em suas últimas turnês, como Jon Carin (teclados) e Guy Pratt (baixo). Além deles, Phil Manzanera (guitarrista e tecladista, ex-Roxy Music) e Steve Di Stanislao (baterista que já tocou com Crosby & Nash), também contribuíram. David deve sair em turnê para promover "On an Island". Quem sabe ele não nos vem fazer uma visita e toca um ou outro clássico do Pink Floyd, como "Fat Old Sun" ou "Confortably Numb"?
 
 
3月1日

Os (des)caminhos do punk rock

O site Spiner, dedicado a assuntos ligados ao comportamento jovem, publicou recentemente um artigo sobre o punk rock escrito por Denise Nunes Félix. As linhas escritas pela autora questionam a legitimidade da "atitude punk" nos dias de hoje, uma vez que o estilo/movimento foi cooptado pela indústria do showbizz e transformou-se num produto de massas formatado e facilmente assimilado pelo grande público.
 
Apesar de válido o questionamento de Denise, ela comete alguns erros ao tentar recuperar a história do punk pelo discurso do senso comum. O primeiro deles é creditar sua "invenção" aos ingleses no final da década de setenta. Não é bem por aí. A trajetória do punk é mais antiga e começa nos Estados Unidos. Em seu artigo, a autora escreve o seguinte:
 
"Para nos situarmos, primeiramente, vamos nos lembrar que o movimento punk surgiu das camadas mais baixas da sociedade inglesa por volta dos anos 70, em plena crise econômica, na qual a Europa vinha atravessando. Ele veio como uma forma de expressão da insatisfação dos jovens frente a uma sociedade tomada pelo capitalismo, pelo crescente consumismo, foi um grito de rebeldia, de descontentamento associado a reclamações políticas e sociais"
 
A coisa não foi bem assim. Para entender onde e como tudo começou, faz-se necessário ir às prateleiras das livrarias e procurar por "Please Kill Me", de Legs McNeil e Gillian McCaine, os ex-editores e fundadores da famosa revista que batizou o movimento, a "Punk". O livro, que foi publicado em português no Brasil pela LP&M (inclusive numa versão de bolso dividida em dois volumes), busca as verdadeiras raízes do punk rock através de uma deliciosa história oral contada por quem realmente fez parte dela. Reunindo fragmentos de entrevistas, McNeil e McCaine deixaram os verdadeiros personagens falarem por si próprios: Lou Reed, Iggy Pop, Patti Smith, Joey Ramone e muitos outros. Alguns depoimentos contidos em "Please Kill Me" derrubam facilmente as teses apresentadas por Denise em seu texto. Vamos a algumas delas:
 
"Hey, espera aí! Isso não é punk - um corte de cabelo espetado e um alfinete de segurança? Que merda é essa? Quer dizer, no fim das contas nós éramos a revista Punk. Tínhamos aparecido com o nome e definido o punk como aquela cultura americana underground de rock'n roll que tinha existido por quase quinze anos com Velvet Underground, Stooges, MC5 etc, etc" (Legs McNeil).
 
"O que as bandas inglesas estavam fazendo era basicamente o que achavam que estava rolando em Nova Iorque, e era ultra-exagerado (...) Vê só, o punk rock basicamente era apenas rock'n roll. A gente não estava fazendo nada de novo em termos de música. O que um monte de gente teria que entender é que nós todos estávamos fazendo o que tínhamos escutado no rádio enquanto estávamos crescendo: Buddy Holly, Everly Brothers, Little Richard e Chuck Berry. Portanto, não é que a música fosse nova, era uma volta as canções de três minutos" (Eliot Kidd, ex-vocalista e guitarrista dos Demons).
 
"O punk começou nos anos sessenta, com bandas de garagem como Seeds, Question Mark e Mysterians. Punk é apenas o bom rock'n roll básico, com riffs bem bons - não é como o boogie rock. Não é uma música muito enfeitada e intrincada - não tem sintetizadores, é apenas o rock básico dos anos cinqüenta e começo dos sessenta" (Nancy Spungen, stripper e ex-namorada de Sid Vicious).
  
Em outras palavras, o punk inicialmente nada tinha a ver com as demandas sociais da Inglaterra no período 1976-79, nem com luta de classes. É bom que esse equívoco seja devidamente esclarecido. Mas em seu texto, Denise prossegue enganada quando afirma ainda que:
 
"Com os punks, o rock levou uma sacudida, pois as músicas eram rápidas, diretas, vicerais, agressivas, sem muitos arranjos, um rock de três acordes (em oposição aos longos riffs do progressivo) no qual os vocalistas cuspiam ácidos protestos, banhados pela ideologia anarquista, sempre apontando as mazelas da sociedade e suas contradições"
 
Esse formato musical, de canções mais simples e curtas, e um toque de agressividade nos riffs e nas letras, já havia sido apresentado por outras bandas americanas antes dos punks ingleses. Três exemplos básicos: os já citados Stooges e MC5 e os Ramones (que também foram muito influenciados pelos primeiros). Basicamente, grupos britânicos como Sex Pistols, Damned e Wire beberam nessa fonte. No caso dos Pistols, em particular, é sabido que eles foram uma grande jogada marketeira de Malcolm McLaren, que se aproveitou o quanto pode da onda punk, e que o ex-vocalista Johnny Rotten era, na verdade, fã de dub e kraut-rock, como ele próprio declarou em várias entrevistas mais tarde. No entanto, os pioneiros do punk também eram chegados a certos experimentalismo e no free jazz: prestem a atenção em músicas como "Starship" (MC5), "We Will Fall" e "L.A. Blues" (Stooges).
 
 
Além disso, outro erro de Denise foi associar o punk inglês deterministicamente à utopia anarquista. Vale lembrar que mesmo na Inglaterra o punk era um movimento muito heterogêneo e que muitos grupos punks eram francamente conservadores de extrema direita. Nem todos acreditavam que a solução para os problemas sócio-econômicos ocorresse através da revolução.
 
Mas voltando aos EUA... O papel desempenhado por clubes Nova Iorquinos como o Max's Kansas City e o C.B.G.B, por onde passaram bandas como Velvet Underground, Patti Smith Group, Dead Boys, Ramones, Television e Blondie, não pode ser ignorado quando se pretente contar a história do punk rock. Ignorá-los seria a mais absurda negligência.
 
Para falarmos de punk rock, temos que transcender o senso comum, que insiste em "britanizar" as origens do movimento. A leitura de "Please Kill Me" por aqueles que ainda desconhecem as fundações do gênero é necessária e urgente. Isto, entretanto, não significa desmerecer as sucursais inglesas do punk - elas também foram importantes e bastante influentes. Mas não podemos cometer injustiças, nem difundir meias verdades - mesmo em nome de uma insatisfação com os rumos tomados pelo punk depois do seu apogeu.
 
 
 
2月28日

Dark Zone especial Depeche Mode no Espaço Marun

A terceira edição da festa Dark Zone está programada para acontecer no próximo 24 de março, no Espaço Marun (Rua do Catete, 124). Além de muito darkwave, gothic rock, industrial, gothic metal e rock dos anos 80 nas carrapetas dos DJs Stratton, Luizinho, Dr. Stress e Fester, não faltarão hits memoráveis do Depeche Mode, o grande homenageado da próxima edição. O público deve ficar atento às promoções que vão rolar na comunidade da festa no Orkut (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2103547). Dentre os "prêmios", descontos e entradas vips. Os organizadores da Dark Zone ainda não confirmaram, mas pode haver sorteio de CDs e brindes.
 
Acompanhem as informações sobre o evento nos links a seguir:
 
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Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo esperam pelo New Order em maio

Aumentam cada vez mais os rumores sobre uma possível vinda do New Order ao Brasil em 2006. O assunto vem ganhando destaque em publicações respeitáveis, como os jornais "Folha de São Paulo" e "Zero Hora" (Rio Grande do Sul). Este último chegou a dar como garantido uma apresentação do grupo inglês no dia 17 de maio, no espaço Pepsi On Stage (Porto Alegre), mas a verdade é que nada foi realmente confirmado até o momento. Ainda assim, os boatos continuam acalorados na Internet e falam também numa possível passagem pelo Rio de Janeiro, que deverá acontecer três dias antes do show na capital gaúcha. Enquanto isso, São Paulo permanece sem data e local definidos, mas certamente a cidade estará no roteiro. Enquanto não chegam notícias definitivas sobre a volta do New Order ao solo brasileiro depois de quase vinte anos (a banda se apresentou pela primeira vez no país em 1988), o site do evento de música eletrônica RBK TOPS anuncia a vinda do baixista do grupo, Peter Hook, para dois sets de discotecagem, um em São Paulo e outro em Porto Alegre, nos dias 02 e 03 de junho, respectivamente. Informações detalhadas sobre o evento podem ser conferidas no site www.rbktops.com.br
 
Ao que tudo indica, este promete ser um ano movimentado para o New Order. A banda deve ser reunir em estúdio para compor faixas inéditas que farão parte da trilha sonora do filme "Control", baseado no livro "Touching From a Distance", de Deborah Curtis, e que vai levar para as telas de cinema a história da primeira encarnação da "Nova Ordem", o sombrio grupo pós-punk Joy Division, e de seu vocalista, o depressivo Ian Curtis (morto por enforcamento em 1980). Além disso, acaba de sair na Inglaterra um pacote de doze singles com remixes de clássicos do New Order. Editados pelo selo New State, os discos contém recriações de canções como "Regret", "Confusion" e "Bizarre Love Triangle" assinadas pelos DJs mais badalados da Europa. Para saciar ainda mais a sede dos fãs por lançamentos, está para sair do forno "Turn", quarto single extraído do último álbum de estúdio inédito do N.O. ("Waiting for the Sirens' Call", lançado no ano passado).